sábado, 6 de fevereiro de 2010

A PESCA MARAVILHOSA




07/02/2010 - 5° Domingo depois da Epifania

São Lucas 5: 1-11

No texto do domingo anterior, Jesus anuncia sua missão. Agora ele começa a chamar os seus colaboradores, os apóstolos. As tradições referentes à chamada dos apóstolos diferem um pouco. A pesca milagrosa descrita no evangelho de hoje é narrada por João, mas como um episódio que teria acontecido após a ressurreição. Lucas, porém, situa esse evento no início do ministério de Jesus, como sinal de vocação e missão dos líderes da comunidade que acompanharam Jesus desde o princípio.


5.1 – Pela primeira vez lemos a expressão “a palavra de Deus”. Essa palavra não é um livro, mas a pregação, o anúncio de Jesus, sua comunicação específica e compreensível, que animava, dava esperanças e unia o povo. A “palavra de Deus” é o lugar onde Deus se manifesta vivo e misericordioso


5.2- tudo começa com o olhar de Jesus. É ele quem toma a iniciativa de dirigir-se aos barcos dos pescadores.


5.3-5 – A primeira aparição de Simão (Pedro) em Lucas. Desafiado a lançar as redes, sua resposta é vacilante. Como pescador experiente, provavelmente, ele não tinha nada a aprender de outro homem, que sequer era pescador. Ele afirma claramente que ninguém pesca àquela hora. Porém, apesar de sua hesitação, Pedro decide obedecer. Ele chama Jesus de “mestre” (________) que, conforme Bovon, seria melhor traduzido como “chefe”, por tratar-se de termo utilizado para referir-se a alguém hierarquicamente superior, que tem autoridade


5.8-11 – As duas barcas talvez evoquem duas alas da Igreja primitiva (judeu-cristã e a gentílica-helenista). Simão identifica aquela pesca milagrosa como um sinal divino e se prostra diante de Jesus. É a atitude de alguém que reconhece o caráter divino de outrem. Pedro é tomado por uma sensação de “temor” ou “espanto”. Não é simplesmente “medo ou pavor”, como algumas Bíblias traduzem. Trata-se, muito mais da experiência humana diante do sagrado, do temor maravilhado e respeitoso perante uma epifania numinosa. Vale a pena comparar a experiência de Pedro diante de Jesus com a experiência de Isaías no templo perante o Deus Santo. Isaías também percebe imediatamente a distância que o separa de Deus. Isaías diz “ai de mim porque sou homem de lábios impuros...”, enquanto Pedro diz “Senhor, afasta-te de mim, pois sou pecador”. Ambos, porém, recebem um consolo (Isaías com as brasas do altar e Pedro com a própria palavra de Jesus: “não temas” – amesma palavra ouvida por Gideão quando de sua vocação, conforme o texto do AT para hoje). Quem tem uma experiência com o sagrado é imediatamente compelido à adesão e ao compromisso.


Tal como Gideão e Isaías, Simão Pedro agora recebe uma missão. No episódio de hoje aprendemos que ninguém é chamado para servir a Cristo por causa de sua fé ou de suas qualidades, mas pela vocação dada pelo próprio Cristo. Nesse chamado sempre há dúvidas e incertezas, mas a melhor atitude que podemos tomar é a mesma de Pedro: obedecer


(Carlos Eduardo Calvani)


Fonte: CEA (Centro de Estudos Anglicanos)

Texto extraído do site: www.revjbs.com.br

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