sábado, 22 de janeiro de 2011

O BATISMO INFANTIL - PARTE VI: AS CRIANÇAS ERAM MEMBROS DA IGREJA DO ANTIGO TESTAMENTO


Isso está claramente registrado nas Escrituras, visto que as crianças eram circuncidadas no oitavo dia após seu nascimento, e isso pelo mandato de Deus. A circuncisão era o sinal do pacto nacional entre Deus e os hebreus, e por isso sua ministração às crianças era apenas o reconhecimento de sua cidadania na comunidade de Israel.

Isso se prova através do fato que no AT, a igreja e o estado eram idênticos. Ninguém podia fazer parte de uma sem fazer parte da outra. Ninguém podia ser membro de um sem ser membro do outro. A exclusão de um equivalia à exclusão do outro. O sumo sacerdote era tanto o cabeça do estado quanto o cabeça da igreja. Os sacerdotes e os levitas eram tanto oficiais civis quanto religiosos. Os sacrifícios e as festas eram tanto serviços nacionais quanto religiosos. Se a circuncisão era um sinal e um selo da membresia da nação israelense, então era sinal e selo da membresia da Igreja hebraica.

Tudo isso emana do pacto divino com Abraão. Neste pacto estavam incluídas as promessas nacionais e as religiosas. Deus escolheu os descendentes de Abraão para se tornarem uma nação com códigos civis que envolvem deveres civis, nacionais, sociais, pessoais e religiosos. Além de um estado, eram o povo de Deus, a Igreja. Uma Igreja na forma de uma nação.

A circuncisão não era sinal exclusivamente do pacto nacional com os hebreus, porque a circuncisão estava relacionada a Abraão e era praticada centenas de anos antes que a lei fosse promulgada no monte Sinai, onde o povo foi constituído como nação.

Nós aprendemos as características essenciais daquele pacto através de passagens como:

  • Abençoarei os que te abençoarem e amaldiçoarei os que te amaldiçoarem; em ti serão benditas todas as famílias da terra (Gn 12.3).

  • Estabelecerei a minha aliança entre mim e ti e a tua descendência no decurso das suas gerações, aliança perpétua, para ser o teu Deus e da tua descendência (Gn 17.7).


Encontramos no Novo Testamento as explicações destas passagens. O NT realça não as bênçãos temporais ou nacionais, mas as bênçãos da redenção.

  • Digo, pois, que Cristo foi constituído ministro da circuncisão, em prol da verdade de Deus, para confirmar as promessas feitas aos nossos pais... (Rm 15.8).


Cristo nos redimiu da maldição da lei, "para que a bênção de Abraão chegasse aos gentios, em Jesus Cristo, a fim de que recebêssemos, pela fé, o Espírito prometido" (Gl 3.14). Essa aliança foi "confirmada por Deus, a lei, que veio quatrocentos e trinta anos depois, não a pode ab-rogar, de forma que venha a desfazer a promessa" (Gl 3.17). Há de se notar que todo o Novo Testamento tem o propósito de mostrar que o pacto feito com Abraão, e as promessas nela contidas, foram executados e cumpridos em Jesus Cristo. A circuncisão foi o sinal e selo desse pacto.

Um outro ponto que devemos considerar é o que está escrito em Romanos 4.9-12:

  • Vem, pois, esta bem-aventurança exclusivamente sobre os circuncisos ou também sobre os incircuncisos? Visto que dizemos: a fé foi imputada a Abraão para justiça. Como, pois, lhe foi atribuída? Estando ele já circuncidado ou ainda incircunciso? Não no regime da circuncisão, e sim quando incircunciso. E recebeu o sinal da circuncisão como selo da justiça da fé que teve quando ainda incircunciso; para vir a ser o pai de todos os que crêem, embora não circuncidados, a fim de que lhes fosse imputada a justiça, e pai da circuncisão, isto é, daqueles que não são apenas circuncisos, mas também andam nas pisadas da fé que teve Abraão, nosso pai, antes de ser circuncidado.


A circuncisão não pode ser a base da justificação, porque Abraão foi justificado antes de ser circuncidado. Isso equivale a dizer que a circuncisão é o selo do pacto que promete salvação sob a condição de fé. É o selo do pacto da graça ou do plano de salvação que fora a única base da esperança para o homem desde a Queda. Se as crianças eram circuncidadas pelo mandato de Deus, era porque estavam incluídas no pacto feito com seus pais.

Depois de um estudo mais acurado, percebemos quão grande é a importância espiritual da circuncisão. Ela significa a purificação do pecado, assim como o batismo hoje. Lemos nas Escrituras sobre a circuncisão do coração (Dt 10.16; Jr 4.4; Ez 44.7). Lábios incircuncisos são lábios impuros; coração incircunciso é um coração maculado (Êx 6.12; Lv 26.41. Ver At 7.51). A verdadeira circuncisão não é aquela que é externa, na carne; mas a que é interna, no coração, feita pelo Espírito (Rm 2.18,29). Paulo referindo-se aos crentes diz:

  • Porque nós é que somos a circuncisão, nós que adoramos a Deus no Espírito, e nos gloriamos em Cristo Jesus, e não confiamos na carne (Fp 3.3).


Com tanta importância ao aspecto espiritual da circuncisão, sua referência ao pacto nacional era bastante secundária. Seu principal desígnio era significar e selar a promessa de livramento do pecado através da redenção pela semente prometida de Abraão.

Portanto, as crianças estavam incluídas no pacto da graça e eram membros da Igreja do Antigo Testamento. Aos olhos de Deus, pais e filhos são unos. Os primeiros são os representantes autorizados dos últimos; agem por eles; contraem obrigações em nome deles. Onde os pais entram em aliança com Deus, levam consigo seus filhos.

As promessas dos pactos de Deus com a Igreja sempre foram direcionadas para a família como um todo.

  • Vós estais, hoje, todos perante o SENHOR, vosso Deus: os cabeças de vossas tribos, vossos anciãos e os vossos oficiais, todos os homens de Israel, os vossos meninos, as vossas mulheres e o estrangeiro que está no meio do vosso arraial, desde o vosso rachador de lenha até ao vosso tirador de água, para que entres na aliança do SENHOR, teu Deus, e no juramento que, hoje, o SENHOR, teu Deus, faz contigo; para que, hoje, te estabeleça por seu povo, e ele te seja por Deus, como te tem prometido, como jurou a teus pais, Abraão, Isaque e Jacó. (Dt 29.10-13).


É óbvio que as crianças não podem assumir compromissos de um pacto, de um aliança. Mas sempre foi da intenção de Deus que os pais assumissem estas responsabilidades no lugar das crianças. Em todas as declarações de Deus sobre suas alianças e seus pactos com o povo hebreu, em todas elas Deus incluía as crianças. As crianças se faziam presentes porque pesava sobre os pais a obrigação de assegurar-lhes os benefícios dos pactos. Quando um homem entrava no pacto ouvia a seguinte declaração: "Eu serei o seu Deus e o Deus dos seus filhos".

Se a igreja é uma só sob ambas as dispensações; se as crianças eram membros da Igreja sob a teocracia, então são membros da igreja agora, a menos que se prove o contrário. Será que há alguma coisa no Novo Testamento que justifique a exclusão dos filhos dos crentes da membresia da Igreja? Veremos isso no próximos post da série. Até mais.


Nenhum comentário: