sábado, 29 de janeiro de 2011

O BATISMO INFANTIL - PARTE VII: NÃO HÁ NADA QUE JUSTIFIQUE A EXCLUSÃO DAS CRIANÇAS DA MEMBRESIA DA IGREJA


Charles Hodge já dizia: "O onus probandi repousa sobre aqueles que assumem a negativa sobre o pedobatismo". Se os filhos pequenos de crentes devem ser privados de um direito nato do qual têm desfrutado desde quando houve igreja na terra, é preciso haver algum mandamento positivo para sua exclusão, ou alguma mudança clara revelada nas condições de membresia que façam tal exclusão necessária.

Cristo não deu nenhum mandamento para não considerar mais as crianças dos crentes como membros da igreja. Se as crianças eram membros da Igreja do Antigo Testamento, e as crianças devem ser excluídas da Igreja do Novo Testamento, é preciso que exista pelo menos um único versículo que afirme tal mudança de membresia para os pequeninos. Não somos nós, pedobatistas, que devemos provar a inclusão dos infantes na Igreja do Novo Testamento, mas são os inimigos desta doutrina que devem se esforçar para mostrar essa tal exclusão!

Os discípulos de Cristo, bem como os apóstolos, agiam com base num princípio a que estavam acostumados. Quando um pai aderia à congregação do Senhor no Antigo Testamento, ele conduzia consigo toda a sua família, incluíndo seus filhos menores. Quando, pois, os apóstolos batizavam o chefe de família, era natural que batizassem todos os outros membros da família, incluíndo as crianças. Isso se deve ao fato dos pais sempre ensinarem aos seus filhos os significados de suas práticas e rituais religiosos e, além disso, eram exortados a passarem essas informações às suas posteridades.

Encontramos vários registros de batismos domésticos em Atos.

  • Certa mulher, chamada Lídia, da cidade de Tiatira, vendedora de púrpura, temente a Deus, nos escutava; o Senhor lhe abriu o coração para atender às coisas que Paulo dizia. Depois de ser batizada, ela e toda a sua casa, nos rogou, dizendo: Se julgais que eu sou fiel ao Senhor, entrai em minha casa e aí ficai. E nos constrangeu a isso (At 16.14,15).

  • Então, o carcereiro, tendo pedido uma luz, entrou precipitadamente e, trêmulo, prostrou-se diante de Paulo e Silas. Depois, trazendo-os para fora, disse: Senhores, que devo fazer para que seja salvo? Responderam-lhe: Crê no Senhor Jesus e serás salvo, tu e tua casa. E lhe pregaram a palavra de Deus e a todos os de sua casa. Naquela mesma hora da noite, cuidando deles, lavou-lhes os vergões dos açoites. A seguir, foi ele batizado, e todos os seus (At 16.29-33).

  • Batizei também a casa de Estéfanas; além destes, não me lembro se batizei algum outro (1Co 1.16).


Concordo com os antipedobatistas que esses textos não mostram batismos de infantes, mas eles não podem provar que não existiam crianças pequenas nestas famílias! Alguém pode afirmar que não existiam crianças nas famílias de Lídia, do carcereiro e de Estéfanas?

Note que os apóstolos sempre agiam com base no princípio veterotestamentário que diz que se o chefe da casa adota a religião dos hebreus, toda a sua casa (família) adota também. É bom lembrar também que a história da Igreja do Novo Testamento é muito breve. Isso é demonstrados nos poucos registros de batismos domésticos. O interesse do Novo Testamento não era registrar os batismos, mas registrar a evangelização dos discípulos de Cristo. No entanto, sabemos que os batismos sempre andavam juntos com a evangelização.

Jesus mesmo adimitiu que as crianças eram membros de seu reino celestial. Por que seriam excluídas de seu reino aqui na terra? Os próprios batistas, e inimigos do pedobatismo, afirmam que seus filhos são participantes do reino de Cristo! Eles mesmo afirmam que seus filhos vão para o céu! Ora, se as suas crianças participam das regalias espirituais, por que não podem participar da comunhão com Cristo em sua igreja terrena?

Não somos nós que devemos provar a inclusão dos infantes na Igreja, são os antipedobatistas que precisam "suar" para provar o contrário! No último post desta série abordaremos a necessidade das crianças e a capacidade que elas têm de receber os benefícios da redenção. Até mais.


Nenhum comentário: