domingo, 20 de fevereiro de 2011

O EVANGELHO DA SEGUNDA MILHA E DO AMOR AOS INIMIGOS

20/02/2011 - 7º Domingo depois da Epifania (Festa de Batismo de Nosso Senhor)

São Mateus 5: 38-48


Meus irmãos e minhas irmãs o Santo Evangelho de hoje nos mostra uma continuação das leituras da semama que passou.

A lei disse: Olho por olho e dente por dente (Ex. 21:24; Lv. 24:20; Dt 19:21). Essa lei era um mandamento para punir e uma limitação na punição -- a penalidade não pode exceder o crime. Porém, de acordo com o Antigo Testamento, a autoridade para a punição estava fundamentada na autoridade, não no indivíduo.

Jesus foi além da lei, a uma retidão mais elevada, abolindo totalmente aretaliação. Ele mostrou aos discípulos que, onde a retaliação era permitida legalmente, a não resistência era agora graciosamente possível. Jesus instruiu seus seguidores a não oferecer resistência ao perveso. Se alguém ferir na face direita, volta-lhe também a outra. Se lhes fosse exigido a túnica (roupa de baixo) era para cederem e darem também a capa (vestimenta externa noturna). Se um oficial os obrigasse a carregar sua bagagem uma milha, era para carregarem-na voluntariamente duas milhas.

O último madamento de Jesus neste parágrafo parece o mais prático para nós hoje. Dá a quem te pede e não voltes as costas ao que deseja que lhe emprestes. A obsessão com possessões e bens materiais nos faz recuar ao simples pensamento de darmos o que temos adquirido. Porém, se estivéssemos dispostos a nos concentrarmos nos tesouros do céu e a estarmos contentes apenas com o alimento e a roupa necessários, aceitaríamos essas palavras de forma literal e atenta. A afirmação de Jesus pressupõe que a pessoa que pede por auxílio tem uma necessidade genuína. Já que é impossível saber se a necessidade é legítima em todos os casos, é melhor (como alguém disse) "ajudar um bando de pedintes fraudulentos que arriscar a recusar ajuda a um homem em verddaeira necessidade".

Humanamente falando, esse comportamento que o Senhor exige aqui é impossível. Somente uma pessoa controlada pelo Espírito santo pode viver de modo auto-sacrificial. Somente quando o cristão permite que o Salvador viva nele, o insulto (v. 39), a injustiça (v. 40), a inconveniência (v. 41) podem ser pagos com amor. Esse é o "evangelho da segunda milha".

O último exemplo de Jesus concernente à mais alta retidão exigida no seu Reino é com referência ao tratamento aos inimigos, um tópico que emerge naturalmente do parágrafo anterior. A lei tinha ensinado aos israelitas a amar o próximo (Lv 19:18). Apesar de nunca receberem explicitamente ordens para odiar os seu inimigo, esse espírito reforçava seus ensinamentos. Essa atitude era um resumo da perspectiva do Antigo Testamento para com os que perseguiam o povo de Deus (cf. Sl 139:21-22). Era uma reta hostilidade direcionada contra os inimigos de Deus.

Mas agora Jesus anuncia que a nossa atitude deve ser: amai aos inimigos e orai pélos que vos perseguem. O fato de o amor er ordenado mostra que se trata de uma questão volitiva e não primeiramente emotiva. Não é o mesmo que as afeições naturais, porque não é natural amar os que maltartam e odeiam. É uma graça sobrenatural, e somente pode ser manifestada pelos que tem vida divina.

Não há recompensa se amardes os que vos amam. Jesus diz que até mesmo os publicanos fazem assim! Essa espécie de amor não requer nenhum poder divino. Tampouco há virtude se saudardes somente os vossos irmãos, por exemplo, parentes e amigos. Os descrentes podem fazer isso, o que não significa que sejam cristãos. Se nossos padrões não são mais altos que os do mundo, é obvio que nunca causaremos um impacto no mundo.

Jesus disse que seus seguidores deveriam retribuir o mau com o bem, afim de que podessemos ser filhos do Pai celeste. Ele não está querendo dizer que esse é o caminho para se tornar filho de Deus; pelo contrário, é para mostrarmos que somos filhos de Deus. Já que Deus não mostra parcialidade aos maus e bons (ambos se beneficiam do sol e da chuva), deveriamos agir com todos de forma graciosa e honesta.

Por fim Jesus encerra essa parte com a admoestação: Portnato, sede vós perfeitos como perfeito é o vosso Pai celeste. A palavra perfeito precisa ser entendida a luz do contexto. Não significa sem pecado ou impecável. Os versículos anteriores explicam que para ser perfeito, precisamos amar os que nos odeiam, orar pelos que nos perseguem e mostrar bondade tanto para com amigos como para os inimigos. Perfeição, aqui, é a maturidade espiritual que faz o cristão capaz de imitar Deus, ministrando bênçãos a todos sem parcialidade.


Paz e Bem
Sem. Bruno Leandro

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