quarta-feira, 1 de março de 2017

QUARTA-FEIRA DE CINZAS - INÍCIO DA QUARESMA


O emprego das cinzas para fins litúrgicos vem desde o Antigo Testamento. Simbolizam penitência, arrependimento. No Livro de Ester, escrito em cerca de 520 anos antes de Cristo, no capítulo 4 versículo 1 Mardoqueu em sinal de grande tristeza rasgou os seus vestidos, vestiu-se de um saco de cinza e saiu pelo meio da cidade clamando com amargo clamor. Em Daniel 9:3, o Profeta Daniel Rogou ao Senhor pelo povo com orações e rogos, com jejum e saco e cinza. Jonas registra em seu livro no capítulo 3 versículos 5 e 6 que os homens de Ninive creram em Deus e proclamaram um jejum, vestiram-se de saco, desde o maior até o menor e inclusive o rei, que levantou-se do seu trono, tirou seus vestidos e cobriu-se de saco e assentou-se sobre cinza e proclamou o povo ao jejum.

Jesus Cristo também fez referência às cinzas em Mateus 11:21 quando se dirigia às cidades impenitentes de Corazim, Betsaida e Carfanaum: “Ai de ti, Corazim! Ai de ti, Betsaida! Porque se em Tiro e em Sidom fossem feitos os prodígios que em vós se fizeram, há muito que se teriam arrependido, com saco e com cinza...” Na Idade Média, quando uma pessoa estava à beira da morte, era colocada no chão, deitada sobre um saco com cinzas. O sacerdote benzia com água benta e dizia: Lembra-te que és pó e ao pó voltarás. Depois da aspersão com água benta perguntava ao doente: “Estás de acordo com o saco e as cinzas como testemunho de tua penitência diante do Senhor no dia do Juízo?” A resposta deveria ser: Sim, estou de acordo.

Os séculos se passaram. As cinzas passaram a representar o início da Quaresma ou seja, o início de 40 dias de preparação espiritual para a Páscoa. As cinzas no ritual de Quarta-feira de Cinzas são feitas com os ramos das palmas que foram utilizadas no Domingo de Ramos do ano anterior.

Amado povo de Deus, os primeiros cristãos observavam com grande devoção os dias da paixão e ressurreição de nosso Senhor, e se fez costume na Igreja preparar-se para esses dias por meio de um período de penitência e jejum. Este período da Quaresma proporcionava a ocasião na qual os catecúmenos eram preparados para o Santo Batismo.

Era a ocasião, também, para que todos os que se haviam separado do corpo dos fiéis, por causa de pecados notórios, eram reconciliados por meio da penitência e do perdão e eram restaurados à comunhão da Igreja. Deste modo, recordava a toda congregação a mensagem de perdão e absolvição proclamada no Evangelho de nosso Salvador, e a necessidade constante de todo cristão de renovar seu arrependimento e sua fé. Portanto, em nome da Igreja, os convido a observância de uma Santa Quaresma, mediante o exame de consciência e o arrependimento; pela oração, o jejum e a autonegação; e pela leitura e meditação da Santa Palavra de Deus.


Paz e Bem
Rev. Pe. Bruno Leandro
Igreja Anglicana Ortodoxa no Brasil
Comunidade da Santíssima Trindade - Caruaru-PE
Diocese de São Pedro

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